quarta-feira, 13 de março de 2019

Espelho

Eu queria que só num olhar
Tu me fosses buscar
Tanto do que (Te) tenho de falar.
E que nesse olhar
A cada seu piscar
Tu me fosses buscar
Cada um do silêncio,
Que eu sempre sufoquei
Só para não te contar:
Dos pequenos tormentos
Trogloditas pensamentos,
Lascas de idos momentos
Em que com o passar do tempo,
Me vão ficando em rasgos
Num semblante
vazio já por Si só cansado de Se olhar.
Era tudo o que eu queria...
Que Tu me olhasses e só mesmo...
Me olhasses sem perguntar...
Sem perguntar em que estado físico fica o Seu estar.

E cala-te silêncio!
Cala-te sem mencionar,
sem mencionar sequer
o vago inerte que te exalta.
Cala-te!!!
Cala-te e deixa-te ficar.
Deixa-te ficar prostrado na existência do nada
a contemplar o vazio ainda para lá do que não se alcança,
exaltado com a inexistência da Tua nula aparência.
Cala-te e não vejas ao espelho a Tua outra face, fecha os olhos e absorve toda a tranquilidade da satisfação que ao inalar o ar te traz como presença a única real existência.
A vida com Sua beleza a pairar lado a lado com Tua consciência...
Eu só queria que tu fosses o silêncio
para ser eu a Tua viagem.
E nela embarcar sem olhar à margem de onde a nossa barca acabara de zarpar.

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